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sexta-feira, 2 de abril de 2021

Sobre o Livro #4 - A Metade Perdida


Livro: A Metade Perdida

Título Original: The Vanishing Half

Autora: Brit Bennett

Tradução: Thaís Britto

Editora: Intrínseca


Quando Jude Winston leva o namorado para a biblioteca de sua universidade a fim de prová-lo que sua cidade natal não existia no mapa, ele fica surpreso, é claro, como pode uma cidade não existir nos atlas? Mallard realmente não existe, mas na ficção de Brit Bennett, o pequeno vilarejo localizado no estado da Luisiana não é tão difícil de ser localizável na realidade. 

"Era uma cidade estranha. (...) Como qualquer outra, aquela cidade era mais uma ideia do que um lugar. A ideia ocorreu a Alphonse Decuir, em 1848, quando estava nos campos de cana-de-açúcar que herdara do pai. (...) Uma cidade para homens como ele, que nunca seriam aceitos como brancos, mas que se recusavam a ser tratados como negros. Um terceiro lugar. A mãe de Alphonse, que Deus a tenha, odiava a pele clara do filho; quando ele era criança, ela o colocava debaixo do sol, rezando para que escurecesse. Talvez aquela tenha sido a inspiração dele para sonhar com a cidade. A pele clara, como tudo que é conquistado a duras penas, era uma dádiva solitária." (pág. 13)*

O mote de construção para a cidade é o fio condutor da narrativa, aquilo que irá definir e motivar todas as ações dos personagens, especialmente das gêmeas Desiree e Stella Vignes, nascidas em 1938 e tataranetas do fundador Alphonse. Desiree é a mais intempestiva e inquieta, seu maior sonho é sair da cidade, diferente da irmã, que parece mais subserviente e adaptada ao papel que lhe cabe, mesmo quando a mãe subitamente tira as filhas da escola porque precisam começar a trabalhar. Stella, que gostava muito de estudar e cujo sonho era ingressar na universidade, aceita melancólica que ela e a irmã passem a trabalhar faxinando a casa de um casal de brancos. 

Até que finalmente Stella, aos 16 anos aceita embarcar no sonho da irmã e elas partem rumo a Nova Orleans, quando, anos depois, seus caminhos tomam rumos inesperadamente opostos. Para surpresa de Desiree (e do leitor), Stella empreende uma segunda fuga, dessa vez da própria irmã, que sozinha e desamparada, casa-se com Sam e dá a luz a Jude. Talvez desafiando a própria ascendência racista, Sam é um homem negro "muito escuro" e Jude puxa mais ao pai que a mãe. Por isso, quando retorna a Mallard, 14 anos depois, Desiree choca a cidade mais pela sua filha de pele escura do que pelo seu retorno.

Em 1968, quando Desiree volta a Mallard, quatro anos haviam se passado desde a promulgação da Lei dos Direitos Civis, quando todas as leis de segregação racial ainda vigentes (como instalações separadas para brancos e negros, por exemplo) são erradicadas. Esta lei foi fruto de muitas lutas, encabeçadas pelo pastor Martin Luther King, assassinado neste mesmo ano de 1968. Assim, o final dos anos 60 e anos 70 são marcadas por mudanças políticas e culturais profundas, ainda que somente na letra fria da lei. Essas questões ficam nítidas quando acompanhamos o que afinal aconteceu com Stella e porque ela fugiu. (ATENÇÃO: SPOILERS A PARTIR DAQUI)

Na primeira parte do livro, o narrador nos leva a crer que Stella é uma menina sem muito a dizer, por isso o protagonismo de Desiree, entretanto, ao chegarmos na parte III, vemos que Mallard produziu efeitos opostos na personalidade dela, em comparação com a irmã. Enquanto Desiree queria se afastar o máximo possível dessa determinação racista da suposta superioridade por ter a pele mais clara, Stella caminha no sentido oposto, ela se torna branca e usufrui de todos os privilégios a que ela nunca sonhou ter o direito quando adolescente.

Seu processo de tornar-se branca começa quando vai fazer uma entrevista para um emprego como secretária. Stella sabe que nunca seria contratada sendo negra, mas a entrevistadora a confunde, não percebe que é negra e ela não a corrige. Ao ser contratada, ela conhece o seu futuro marido, o seu chefe Blake Sanders, um homem rico e branco, claro. Stella, que ainda morava com a irmã quando começa a sair com o chefe, esconde a sua história desde o início do romance, para Blake, toda sua família morreu quando era pequena. Nesta narrativa, não havia espaço para a irmã, por isso Stella foge, casa-se com Blake, com quem vai morar em um condomínio em Los Angeles e tem uma filha, Kennedy.

Toda a vida adulta de Stella é um simulacro de como o racismo pode operar na vida de uma pessoa. Os privilégios e as facilidades de ser uma pessoa branca levam a personagem a abandonar a si própria, sua história e as pessoas que ama. Ao mesmo tempo que sentimos compaixão por Desiree, desesperada sem saber da irmã e em luto pela sua perda em vida, é difícil julgar Stella, ainda que ela tome cada vez mais atitudes questionáveis como opor-se firmemente a mudança de uma família negra para o condomínio onde mora, fazendo justificativas racistas, quando o que sente na verdade é medo de ser "reconhecida" por um dos "seus". É interessante como percebemos que seu medo na verdade é muito mais de se "revelar" ao outro, pois ela é a única condômina que acaba desenvolvendo uma amizade com Loretta Walker, a vizinha negra de quem queria distância e de quem acaba vendo semelhanças com Desiree. É evidente o quanto toda a mentira que vive paga um alto preço, além de viver a sombra, com medo de ser "desmascarada", Stella sente o tempo todo que não pode ser ela mesma, se torna cada vez mais contida e a relação com sua filha é permeada por estranhamentos, ela tem dificuldade em reconhecer Kennedy como a própria filha, essa menina branca de olhos claros. Os capítulos sobre Stella são pra mim os mais complexos e os que me fizeram refletir mais sobre racismo e identidade.

A prole dessas duas mulheres também desempenham funções importantes para história. Jude, a menina negra que consegue se formar em medicina e tem um namorado transexual e Kennedy, a menina branca que sonha em ser atriz, mas tem seus sonhos constantemente frustrados, ainda que seja rica, branca e linda. As histórias dessas quatro protagonistas nos fazem pensar muito sobre pertencimento e identidade. A filha da mulher que mente sobre seu passado e sua própria vida se torna uma atriz, que sente prazer em performar outras vidas, em ser, a cada papel, uma pessoa diferente. A mulher cujo sonho era se distanciar ao máximo de suas raízes, retorna a sua cidade anos depois e suas raízes ficam cada vez mais profundas, somente se permitindo ir embora após a morte da mãe, vinte anos depois. Jude, que foi vítima de todos as violências racistas em Mallard, quando criança, se torna uma mulher confiante, a segunda mulher de sua família a ter diploma, seguida de Stella, que apesar de ter sido negada os estudos quando nova, chega a universidade e se torna professora de estatística, a despeito dos protestos machistas do marido.

Mallard é a cidade fictícia representada por Brit Bennett em seu livro A Metade Perdida, mas é também toda a sociedade racista americana, toda a sua história de segregação racial e luta por direitos iguais, seus personagens são representações de uma cultura perversa que anula uma história em detrimento da outra, que produz violências físicas e subjetivas irreparáveis. No Brasil, esta violência se produziu de outra forma, talvez mais implacável porque sutil e camuflada nas entrelinhas de um "jeitinho brasileiro", mas ainda assim, este livro (e talvez todo livro que traga o tema do racismo) serve também para pensar o racismo à brasileira, enquanto apagamento da identidade do povo negro, o processo de tornar-se branca de Stella talvez não seja tão distante assim no tempo e no espaço. Mallard está em todos os lugares.

*edição do clube de assinatura Intrínsecos.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Sobre o Livro #3 - Um Outro Amor




Se eu caísse agora e tivesse poucos segundos, talvez uns minutos para pensar antes que tudo acabasse, eu pensaria justamente o oposto. Que não conquistei nada, que não vi nada, que não vivi nada. Eu quero viver. Mas então por que não vivo? Por que, quando estou a bordo de um avião ou no interior de um carro e imagino que posso cair ou bater, o meu pensamento é que não importaria muito? Que não faria muita diferença? Que para mim daria na mesma viver ou morrer? Porque esse é o meu pensamento mais recorrente. A indiferença é um dos sete pecados mortais, e na verdade o maior de todos, porque é o único que atenta contra a vida.

Um Outro Amor é o segundo livro da série Minha Luta do norueguês Karl Ove Knausgard. Nesta série, temos nada mais que a autobiografia do autor, contada na forma de um romance, enquadrando o livro no gênero ficção autobiográfica. São sete livros no total e cada um deles aborda de forma mais contundente algum aspecto da vida de Karl Ove.
No primeiro, o título dá a dica, A Morte do Pai enfoca tanto na relação nada amigável com o pai quanto nos sentimentos conflituosos do autor que emergem com seu falecimento. Já Um Outro Amor conta a história de sua própria família, a relação com a esposa Linda e o nascimento dos seus três filhos, especialmente a primogênita Vanja, além de Heidi e John. Pra mim, os capítulos que narram a gravidez, o nascimento emocionante de Vanja e a beleza da descoberta de si enquanto pai são os mais bonitos do livro.
Por falar na estrutura, reconheço que esses livros talvez não sejam convidativos ao grande público porque Karl Ove descreve sua própria experiência de vida de forma não tão surpreendente assim. Ou seja, temos parágrafos e parágrafos de uma simples ida ao supermercado, detalhes banais de uma festa de aniversário, a trivialidade de uma ida ao bar com um amigo querido. São detalhes que me fez sentir mais próxima do autor, você se reconhece nessas banalidades porque é a vida como ela é, não a ilusão de uma vida incrível de acontecimentos de tirar o fôlego. Se é isso que você procura, nem abra os livros de Karl Ove.
Talvez de forma paradoxal, a banalidade da vida é que torna o livro único, é para poucos a capacidade de narrar de forma tão envolvente uma ida a um café para fumar e ler um jornal, Karl Ove consegue fazer o leitor sentir-se impelido a descobrir mais sobre sua história, mesmo que seja a história de um escritor pai de família como tantos outros. Outro ponto interessante foi descobrir mais sobre a Noruega e Suécia, apesar dele ter nascido no primeiro país, após o término do primeiro casamento, o autor muda-se para Estocolmo para "recomeçar a vida" e é nesta cidade que passeamos a maior parte do livro, interessante conhecer hábitos e a vida nesse país.
Apesar de, em alguns momentos o livro ter essa capacidade mágica de querer acabá-lo de uma vez só, em outros as suas divagações pediam por uma pausa, quem leu o primeiro livro irá notar que suas elucubrações sobre a vida, o universo e tudo o mais são uma constante maior em Um Outro Amor, tornando-o bem maior que o primeiro. Recomendadíssimo!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Sobre o Livro #2 - As Brumas de Avalon



[CONTÉM SPOILERS]

Olá!

Finalmente, terminei a leitura dos quatro volumes de As Brumas de Avalon, não consegui manter os diários de leitura, então achei melhor fazer um post só sobre todos os livros. Já comentei um pouco sobre o primeiro livro, Senhora da Magia, mas agora pretendo falar da história como uma só, não vou subdividir onde acontece o quê, pra dar mais dinamismo e também porque a história é pra ser lida assim mesmo, de uma vez só, como um único livro, há bastante encadeamento entre eles.

Como já havia dito, esses livros contam a perspectiva feminina do mito do rei Arthur, eu digo mito pois não se sabe até hoje se ele realmente existiu, ele teria vivido em torno do século V, mas sua história está cercada por misticismo, acontecimentos e personagens fanstasiosos, sendo objeto de várias versões. Esta de Marion Zimmer Bradley segue o contra-fluxo dessas versões ao focar nas mulheres, principalmente na meia-irmã de Arthur, Morgana, comumente retratada como uma mulher maquiavélica e pérfida, mas aqui há uma versão mais humana, tornando-se uma das minhas personagens mulheres preferidas da literatura.

Os livros iniciam-se desde antes do nascimento do futuro rei e do casamento de seus pais, Igraine e Uther, acompanhamos uma Morgana ainda recém-nascida, fruto da união do primeiro casamento de Igraine com o duque Gorlois. Com a ascensão de Uther ao trono, arrebatada pela paixão, Igraine, antes uma mãe devotada, passa a investir completamente em seu casamento, sobrepujando-o à maternidade, o que não é sem sofrimento para a pequena Morgana, que se vê obrigada a ser ela mesma mãe de seu irmão Arthur. Anos depois, Viviane leva a já crescida Morgana para tornar-se sacerdotisa de Avalon, e no futuro substituir Viviane no cargo de Grande Sacerdotisa.

Entretanto, após o controverso Grande Casamento, Morgana abandona Avalon, grávida e completamente amargurada em relação ao seu destino, há pela primeira vez um profundo desgosto em servir sua vida a Deusa, sente-se manipulada por Ela e, em consequência, por Viviane, que seria a representação da Deusa na Terra, o instrumento através do qual Seus propósitos são executados. Assim, Morgana abandona o posto de sacerdotisa e refugia-se na corte de sua tia Morgause, casada com Lot de Orkney, vale lembrar que este rei havia ambicionado ser o Grande Rei, sendo preterido a Uther, por isso tanto ele quanto sua gananciosa esposa sonham em colocar no trono um de seus filhos. Na corte de Morgause, Morgana dá a luz ao seu filho Mordred, mas o deixa para ser criado pela tia.

Paralelo a tudo isto, o rei Arthur ascende ao trono após a morte do pai e casa-se com a cristã fervorosa Guinevere, para mim os capítulos protagonizados por ela são os mais enfadonhos, sua temeridade inquestionável ao Cristo, sua devoção e fanatismo pra mim são muito cansativos, principalmente porque há muitas contradições e conflitos internos entre seus desejos mais íntimos e a fé cristã. Seu maior conflito é o fato de não ser apaixonada por seu marido, mas pelo seu primo e amigo mais íntimo, Lancelote, esta paixão é mote de toda a angústia e culpa de Guinevere. Além disso, a rainha não consegue realizar o que seria sua única função enquanto mulher de um rei: dar-lhe filhos, ela então associa sua esterilidade com o pecado de desejar outro homem, que não seu marido, tornando-o como uma penitência pelos seus pecados.

O contraponto entre Guinevere e Morgana e outras mulheres de Avalon é o ponto mais interessante dos livros para mim. Um dos grandes fios condutores das histórias é a religião, de um lado, o cristianismo e de outro o paganismo, e ambas as crenças tem uma visão completamente oposta em relação ao papel da mulher, pela perspectiva de Guinevere, o cristianismo tem uma visão da mulher como abjeta, fonte de todo o pecado do mundo, desde Eva, ela deve ser submissa, colocar-se sempre atrás dos homens e sentir-se culpada pelo simples fato de ser mulher. Ao contrário, em Morgana, vemos a exaltação do feminino, a mulher como aquela que dá a vida, não é a toa que em Avalon se cultua a Deusa e não o Deus, vê-se isso em todas as atitudes de Morgana, mesmo quando se afasta de Avalon, ela ainda mantém uma postura de não submissão e de autoridade, invejada por Guinevere, diga-se de passagem.

Os acontecimentos vindouros são voltados para as façanhas do rei Arthur, como ele conseguiu juntar em torno de si os cavaleiros da Távola Redonda e expulsar os saxões da Bretanha, através de sua espada Excalibur, encantada com a magia de Avalon para que ele nunca perecesse enquanto a portasse. Esta espada é o símbolo do juramento de Arthur que, em troca de sua magia, promete defender o paganismo e as religiões célticas junto ao cristianismo. Esta promessa é quebrada, com insistência de Guinevere, e o rei Arthur depõe a bandeira usada pelo seu pai, com os Dragões, símbolo de todas as religiões pagãs para usar somente o símbolo da cruz. Tal perjuro é condenado, obviamente por Viviane e também por Morgana que toma essa traição para si e passa a tentar, principalmente após a morte de Viviane, vingar tal perfídia em nome de Avalon.

Apesar de aproximar-se mais de Avalon, ainda assim Morgana não assume o posto de Grande Sacerdotisa após a morte de Viviane, ela casa-se com o velho Uriens da Gales do Norte, e toma forças para vingar Avalon após envolver-se amorosamente com o enteado, filho de Uriens, Acolon. Mas suas tentativas de fazer Arthur cair não funcionam e ela mais uma vez depara-se com muita dor e sofrimento durante esta jornada, permeada de muito ódio aos cristãos e de muita amargura por ver Avalon ir aos poucos sendo consumida pelas brumas e também culpa, pois acredita que ao abandonar Avalon grávida, ela de certa forma, deixou que o destino se configurasse desta forma. 

Aqui é o ponto onde, ao mesmo tempo que há disparidades, também tem alguma convergência entre Morgana e Guinevere, ambas são movidas pela sua fé, a seu modo e sentem culpa por acharem que não estão cumprindo a vontade de seus deuses por mais que suas vidas inteiras tenham sido dedicadas a manter viva suas crenças. Portanto, apesar de tão diferentes entre si, as diferentes narradoras desta história, Igraine, Viviane, Morgause, Morgana, Guinevere, Nimue, Niniane, todas tem em comum esta devoção incontestável por seus deuses, uma relação de amor e ódio profundos pela sua religião, na tentativa de conciliar seus desígnios indecifráveis com seus próprios desejos e paixões. Enfim, são personagens humanas e isso que me faz gostar e sentir tanto carinho por essa saga.

Espero que tenham gostado e até a próxima!



sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Sobre o livro #1 - Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda


Livro: Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda
Autor: Howard Pyle
Editora: Zahar (Coleção Clássicos Zahar)
Ano: 2015












Olá!

Hoje vim falar sobre esta versão da clássica história do Rei Arthur. Antes de falar sobre a história, algumas observações, Howard Pyle escreveu uma tetralogia sobre a vida do Rei Arthur, este é o primeiro livro, escrito em 1903, cujo título original é A história do rei Arthur e seus Cavaleiros. As outras três chamam-se A história da Liga dos Cavaleiros da Távola Redonda, A história de Sir Lancelot e seus companheiros e A história do Graal e a morte de Arthur. Este primeiro livro divide-se em dois, a isso corresponde quando hoje em dia um livro é dividido em partes (parte I, II, etc).

No primeiro livro (ou parte I), acompanhamos desde o nascimento do herói, filho do rei Uther Pendragon com Igraine, mas que fora dado no nascimento a outro nobre Rei, descobrindo suas origens anos depois, ao retirar a famosa espada Excalibur do bloco de mármore, condição imposta pelo feiticeiro Merlin para saber quem seria coroado Rei. Arthur rapidamente apropria-se do título, passando em uma página, de humilde escudeiro do irmão a soberano respeitado e amado por todos, a rapidez dos acontecimentos é algo marcante neste livro, muitas vezes, períodos de tempo, viagens longínquas são realizadas a cada parágrafo, sem maiores delongas. Após a conquista do trono, várias aventuras acontecem, as mais significativas são as que envolvem a sua futura esposa, Guinevere e a conquista da famosa távola redonda.

ilustração de Morgana por Howard Pyle

No segundo livro (ou parte II), conta-se a história de três personagens importantes na história do Rei Arthur, do feiticeiro Merlin, o mago conselheiro e amigo do soberano, e de Pellias e Sir Gawaine, dois cavaleiros honrados e leais. Este segundo livro me incomodou mais, como eu sou fã eterna de As Brumas de Avalon, não gostei da forma como Howard Pyle descreve a irmã do rei Arthur, Morgana, e Vivien, que na história de Marion Zimmer Bradley, é Viviane, tia de Morgana. 

Aqui, Morgana e Vivien - assim como grande parte das personagens femininas - são retratadas como mulheres ardilosas, passionais, maquiavélicas, feiticeiras que usam a magia para desonrar os homens e fazê-los sucumbir a desgraça. Por isso e pela narrativa, não coloco este livro como um dos meus preferidos, mas me fez sentir vontade de reler As Brumas de Avalon e procurar outras versões para esta história incrível.

Esta edição da Zahar está muito bonita, capa dura e conta com dezenas de ilustrações do próprio autor, além de uma apresentação breve de Howard Pyle, tudo feito com muito cuidado. Uma pesquisa pelo site da Zahar, eles informam que não tem previsão se lançaram os outros livros da tetralogia, apesar de não ter me apaixonado por esta, fiquei com vontade de conhecer o restante da história por este autor.

Howard Pyle

Até a próxima!